Esteja onde você estiver, que bom que está aqui!
De certo quem acompanha o blogg deve ter percebido a minha ausência de novos capítulos, e hoje vim aqui para escrever sobre mim, o que houve.
Eu não sei ao certo quando foi que eu me perdi de mim. Iria fazer oito anos que eu estava casada, nem mesmo eu acredito nisso quando penso e penso também, onde alguma coisa se quebrou, o que se perdeu ?
Foram meses de introspecção, de decisões certeiras, de momentos confusos, de medo, muito medo. E isso tudo, eu vivi sozinha, calada, ninguém sabia que no fundo, bem lá no fundo, eu estava sofrendo, estava extremamente infeliz!
Hoje, eu percebo que, essa relação só chegou até aqui, por que eu quis. Por que eu trouxe, eu conduzi, eu me moldei a ela e quando acontece isso, é sinal de você está se abandonando, se perdendo nas malhas da ilusão.
Criamos uma crosta sobre os olhos, que nos impede de ver como nos auto engamos durante a vida.
Eu nem sei quando foi que comecei a me procurar, lembro-me que sempre olhava no espelho e não me via. Faltava algo, em todos os sentidos, todos. Foram diversos os momentos, onde no terraço chorava para a Grande Mãe, minha lágrimas se iluminavam com os raios prateada e algo dentro de mim desejava sair, mas o que ? Era angustiante! Sentia até falta de ar. Sentia-me a pessoa mais solitária do mundo.
Eu a muito tempo olhava para fora daquele relacionamento. Apenas olhava... E algo em mim foi mudando, a vida pedia uma solução, uma saída, me cobrando movimento! Num dia decisivo, olhei para o mesmo espelho que eu não me via, e como se, vendo por outro ângulo e com outros olhos, eu vi que tudo havia perdido o sentido e o que eu estava fazendo ali ?
Aquela vida não era minha, não era para mim, jamais desejei aquilo. Eu havia transformado aquilo tudo na minha verdade, mas numa verdade mentirosa. Não estava plena. Havia uma imensa tristeza em mim. Faltava um pedaço de mim, eu não sabia mais quem eu era e o que eu fui algum dia. Onde eu estava, verdadeiramente onde eu estava ?
Olhava para dentro de mim, e tudo parecia oco. Estava fria. Não tinha sensações. Uma vida rotineira, onde o outro se acomodou, fazia o que achava que tinha que fazer e estava de bom tamanho. Porém, era uma solidão acompanhada, por que eu na minha Arte, praticava sozinha, meditava sozinha, ficava sozinha maior parte do tempo e ele não se prontificou esses anos a me conhecer, a entrar no meu mundo, por que o dele, eu conheci e era extremamente chato. Eu até tentei traze-ló para o meu, mostrar, mas como você faz com uma pessoa que não te escuta. Além do mais, eu respeitava isso, pois é o livre-arbítrio de cada um.
E também há diferença entre escutar e ouvir. Ele ouvia sim, a minha voz, dizendo qualquer coisa e ao invés de parar e me escutar, olhar para mim, saia andando, fazer outro coisa e me deixava no maior vácuo, com um buraco negro bem arreganhado, bem assim mesmo, bem exagerado!
Então eu cansei disso, fui cansando de tudo, absolutamente tudo e me calei. Fazia sexo por fazer e odiava. Gostava mesmo era de ficar sozinha, acordada até tarde lento, escrevendo. Ele sempre cansado, dormia extremamente cedo. Não saíamos, não fazíamos nada diferente. Enfim a acomodação, típica de alguns homens. Eu como mulherzinha tinha que fazer as suas vontades.
Porém, como uma seguidora da Deusa podia deixar de gostar do essencial da vida ? Era extremamente cobrada e acabava fazendo de qualquer jeito. Isso fez que eu machucasse não somente meu corpo, como minha alma. Precisava sentir novamente aquele ardor no ventre, aquele tesão pela vida, aquela vontade de gritar de alegria, de chorar por algo que valesse a pena, precisava me SENTIR e onde estava eu ? Diante do espelho, verdades começaram a cair sobre mim de uma forma extremamente assustadora e entre lágrimas eu descobri que tinha morrido. Eu havia me abandonado pelo caminho.
Quando a verdade veio a tona, perguntas me assolavam. Afinal de contas, o que eu queria para minha vida ? Quem era eu naquela relação ? O amava como nos primeiros tempos do romance ? Onde tudo era novidade, saboroso, refrescante, excitante ? Eu queria ser extremamente amada, eu queria que meu corpo e minha alma vibrasse e não encontrava mais nada naquela vida, com aquela pessoa, naquela casa. Precisava respirar, quis um tempo comigo, mas não obtive e a sensação de estar sendo esmagada, suprimida aumentava todo dia e numa noite, com o peito carregado de sei lá do que, eu desabafei completamente e disse que não amava mais para continuar ali. Disse entre lágrimas, mas um alivio que quase me fez voar.
A partir de então, comecei a arrumar as poucas tralhas, queria somente o necessário, larguei tudo, o conforto que tinha, algumas mordomias para ir de encontro com algo totalmente desconhecido! E fui embora, voltei para casa de minha mãe, num sítio e lá, numa mata, enterrei o meu passado, chorei tudo mais que eu podia, me joguei no chão. Fui ao fundo daquilo tudo que um dia senti, acreditei, e principalmente, olhei de verdade para mim e foi extremamente doloroso! O apego, o medo, a angustia não conseguiram me dominar. Uma força dentro, no fundo do peito pedia para seguirmos em frente, pois tínhamos um longo caminho.
As pessoas, principalmente família ficaram abismadas. Chocadas. Como pode uma relação acabar sem brigas, sem traição de ambas as partes ? Acabando oras. Porém, há detalhes minúsculos num relação que fazem toda a diferença. A traição não se limita somente você se deitar com outra pessoa, tendo um compromisso sério, mas a traição começo na cabeça, nas atitudes, nas falhas, nos erros que são apontados, mas o outro não muda, não melhora, não acrescenta. São detalhes.
Enfrentei muita gente. Enfrentei muitas opiniões, mas segui. Aos pedaços, morta, eu fui embora. Tendo fé na Deusa que me conduzia. Eu pedira muito que ela enchesse minha taça de sabedoria, e ela se fez presente em mim, dando me força que nunca pensei ter.
E nisso tudo não havia um outro alguém ? Como todos achavam. Sim. Uma pessoa que me trouxe de volta. Me despertou, que me enxergou, mesmo que distante, mesmo que superficialmente pela tela fria do pc me via. Eu demorei muito tempo para perceber, mas estava sempre ali, chamando-me de Deusa. Afinal quem era esse que além de ser observador, poeta, educado, reverencia a Deusa em mim ? Era muito perfeito e bom para ser verdade, então não dava atenção.
Depois de muito tempo, muito tempo mesmo, um dia, no meu desespero, numa noite onde as lágrimas insistiram em cair com toda sua força, eu olhei para a Lua na fase crescente e eu vi ele. Nem sabia como era. Não sabia nem seu nome, pois o nick era de nada mais que Orfeu. Apenas tinha em seu perfil uma foto, com a sombra do seu rosto que soprava o fogo azul em sua mão. Eu me apaixonei por isso, mas nunca havia me dado conta. Tanto é que eu não fui ver outras fotos, senão somente aquela da qual eu estava enamorada.
Dito a ele que me viera a mente e nem tínhamos um contato direto, se não umas poucas vezes e meia dúzias de palavras; atencioso, quis saber o por que de eu ter pensado nele e nem eu ao certo sabia. Nosso contato era somente via MSN. E partir desse dia, começamos a nos falar mais e mais.
Nosso contato sempre foi muito poético, filosófico e voltou-se para o espiritual quando eu comecei a me sentir perdida, em questões comigo, extremas. Foi um longo processo, onde voltei os olhos para dentro de mim e vi que lá no fundo uma brasa estava acessa. Eu havia casado por que havia engravidado e jamais foi meu objetivo na vida, ainda mais na época tendo apenas 17 anos. Porém quando eu havia aceitado e fomos morar juntos, eu tive um aborto espontâneo aos 4 meses e foi um momento muito difícil em minha vida. Mesmo assim continuamos juntos, mas por que nos acostumamos um com o outro. Não foi amor, mas sim uma paixão que foi verdadeira enquanto durou. Eu só não sei quando foi que acabou e eu não percebi.
Não foi nada fácil toda essa situação, foi como se eu estivesse saltando num abismo de olhos vendados, sem saber se haveria alguém para me pegar, amparar da queda, mesmo assim o fiz. Depois do término do meu relacionamento, por fim o momento de conhecer aquele deus do amor, onde algo místico havia entre nós. Mas deixamos para saber o que era quando nos conhecêssemos e assim que foi sacramenta esse encontro, olhando em meus olhos eu ouvi ele dizer: "Te amo" e o beijo que veio a seguir selou o momento.
Foi nos braços dele que me despertei, que senti o amor, senti todo meu corpo reviver. Vibrar, estremecer. A cada toque, era como se uma luz flamejante se acendesse dentro de mim. A única palavra que se encaixa para o momento do primeiro encontro é que foi "Mágico".
Reverenciamos a Deusa, agradecendo-a pelo nosso encontro.
Isso foi e é algo extremamente louco que me aconteceu, por que há algo entre nós, uma certa distância, certos obstáculos que cada um precisa transpor. Faz três meses que me separei e acredite, parece que fazem três anos, pois tanta coisa aconteceu e vem acontecendo simultaneamente. Estou numa fase extremamente intensa, onde em gratidão a Deusa, hoje sei, que mesmo depois de tanto tempo, tantos anos, tudo aquilo que eu pedi a ela, nos momentos mais intensos da minha vida, estou colhendo agora, recebendo nesse momento. Apesar de ter somente 24 anos, é como sempre digo, tenho 24 anos nessa vida.
A você que é seguidor da Deusa, ou deseja conhece-lá, lhes digo que ela é muito sábia. Tem conduzido meu caminho, concedido a mim, que agora madura, posso entender melhor e viver de verdade, as sementes que um dia plantei. Por tanto, cuidado ao pedir, pois é esplendido receber o que se pede, mas será que você está preparado ? Hoje, sabiamente, tenho conduzido minha vida, colocando tudo em seu devido lugar, está fluindo. Tenho um amor em minha vida, seguidor da Deusa, que me deu e sempre me dá forças, mas sobretudo descobri o quanto sou capaz quanto posso imaginar, quando eu volto meus olhos em minha direção e acredito em mim. Sempre somos muito mais do que cremos, sempre somos!
Com toda minha verdade, e humildade, eu expressei um pouco sobre mim e o momento que vivo. Em poucas palavras também compartilhei como foi esse encontro que estava predestinado pelo Deusa, e não há outra palavra se não PERFEITO e em extrema gratidão, sempre e sempre eu agradeço a ela por tudo.
Quando se está pronto, trabalhando em prol do seu crescimento, livrando-se das amarras da ilusão, enfrentando o ego, recebemos consequentemente o que desejamos.
Se uma situação que vives está ruim, então tenha a força e a coragem que está dentro de você para mudar. Quando decidi me separar, eu fiz como a águia, me isolei para o renascimento doloroso. Sim, dói morrer, mas dói muito mais renascer, mas sempre é preciso!
Muitas das vezes nos engamos, nos iludimos com situações, pessoas, e os tempos pedem que transmutamos, cresçamos, vivamos em plenitude o agora, por que o amanhã não existe e o passado já foi, já passou, ainda que você esteja apegado à ele.
É difícil, eu sei como é difícil largar, desapegar, mas é preciso e tem que ter persistência, fé e força por que somos capazes de sermos felizes! Nunca será o bastante, sempre haverá uma exigência conosco, mas sobretudo permita-se, deixe fluir, sinta, viva o amor verdadeiro que vem de dentro de você!
São tempos de ser, viver, são tempos onde o velho, o estagnado não tem mais como continuar, a vida pede movimento e dá sim, muito medo, mas vá, corra esse risco de sentir a brisa nos cabelos e viver a verdadeiramente liberdade de dentro para fora! Por que ao contrário não é real. Tire o véu de Maia que cobre muitas vezes os nossos olhos e nossa alma e vamos ser feliz em plenitude! Não tenha medo de olhar para você, ainda que seja assustador, é extremamente lindo e fascinante!
"As portas do meu mundo estão sempre abertas, entra quem deseja, fica quem merece, mas não há espaços para os covardes" (Cllau..)
Renascendo como a Fênix!
Que a Deusa abençoe a todos!
*Princesa da Lua*
Um estória épica, de amor, magia e sobre tudo, auto-conhecimento. Venha nessa viagem e descubra os mistérios de seu coração. Quantas vezes nos são impostas situações que não sabemos como conduzi-lá? Ou mesmo quando tudo dá errado e parece desmoronar é por que chegou a hora de recomeçar.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Décimo Primeiro Capítulo *Princesa da Lua*
__ O que deu em vocês para irem para lá ? Indagou Faelin bravo.
__ A vossa princesa é teimosa e creio que surda, se ela se acha auto suficiente, dona de toda sorte, eu entrego meu cargo e continuo minha missão sozinho! Disse Arion, extremamente furioso, sentando-se e procurando um líquido fresco para saciar a sede e molhar a boca seca.
__ Não fale assim da princesa! Disse Faelin, em pé, entre os dois que estavam sentando frente a frente, sérios.
__ Mas é a verdade, ou não é princesa da lua ? Encarou-a.
__ Sim... É verdade. Disse séria. __ Fique curiosa e não consegui me conter. Revelou e abaixou a cabeça.
__ Sua curiosidade quase me levo ao fundo da fonte !
Talinsi olhou surpresa.
__ Princesa, deve ter cuidado, os seres da água, algumas vezes são traidores, são consideradas vampiras desde musas, com sua beleza, vivem na água, cantam, atraem as últimas e levam-os para seu mundo, sem volta.
__ Suas presas preferidas são os homens ! Arion levantou e saiu. Talinsi calada, sentia um nó da garganta.
__ Desculpa Faelin. Sussurrou com a voz embargada.
__ Não é a mim que a princesa deve desculpas, mas deixe ele esfriar bem a cabeça. Apontou para Arion, que acabara de sair.
__ Ele está diferente, viu a espada dele ?
__ E vai mudar muito mais, assim como você, ele não é mais monge da tribo Leste do Ar, mas sim, o guerreiro Arion, contendo em si todos os ensinamentos, mas para isso, precisa ter equilíbrio.
__ Ele não utilizava nenhum instrumento, a não ser o bastão.
__ A espada foi especialmente feita por ele, no seu atual momento, ou nessa jornada, ele traz consigo o elemento fogo exterior e principalmente interior.
__ Está cada vez mais sábio Faelin e a nossa jornada difícil, já pensei em fugir. Revelou triste, cabeça baixa. Estendendo uma cumbuca de sopa, o caldo grosso feito de raízes.
__ Estarei sempre ao seu lado, não podemos parar, voltar ou fugir, apenas continuar firme e forte !
Talinsi aceitou a cumbuca, lhe sorriu, mas estava sentindo-se mal pelo erro cometido. Faelin saiu da carruagem e foi procurar Arion, que sentado num tronco, com a cabeça baixa, ainda muito nervoso.
__ Está muito frio para ficar aqui, há um sopa quentinha esperando por você. Faelin colocou sua mãozinha no ombro de Arion.
__ Precisava esfriar a cabeça, ela está me enlouquecendo ! Confessou, olhando para o céu, lágrimas nos olhos.
__ Ora pois ?
__ Sua beleza está tão mais acentuada, um imã me puxa em sua direção, mas se eu ceder, não vou cumprir minha missão, da qual almejo tanto !
__ Mas precisa maltrata-lá ?
__ Terei que lidar com ela assim, até para ela amadurecer, e entender que não estamos brincando, passeando no bosque, é toda uma geração, uma história de vidas, reinos e poderes mágicos !
__ Entendo, mas também não temos tempo a perder, a carruagem não está mais enfeitiçada e os cavalheiros do rei Felipus estiveram a pouco tempo nessa região, corremos o risco de encontrar-lós. Revelou Faelin.
__ Isso é sério? Arion o olhou surpreso.__ Mas como o feitiço acabou, estamos apenas a um dia do começo da viagem !
__ Não sei, não tenho certeza, mas tenho sentido um cheiro estranho, em algum momento, senti que começamos a ser seguido.
Surpreso Arion sacou sua espada em brasas.
__ Abaixe sua espada e vamos entrar e seguir mais algumas léguas. Sussurrou Faelin.
Desconfiado, obedeceu e assim andaram cautelosamente até entrarem na carruagem.
Talinsi, sentada confortavelmente perto da janela, saboreava sua sopa vagarosamente.
Os dois adentraram de forma misteriosa, mas ela não perguntou nada.
Saborearam a sopa que fumegava. Faelin aproximou-se e fechou as cortinas das janelas.
__ Tem algo que eu deva saber Faelin ? Indagou desconfiada.
__ Descanse sim, tudo que posso dizer é, que estamos muito à vista de inimigo, temos que ficar mais concentrados do que nunca. Disse sério.
__ Não compreendi, mas vou me abster, por enquanto.
Depois da grande árvore, mencionada pela ninfa, atrás de um grande carvalho, pararam para pernoitar ali.
Muitos sons da floresta á noite, assustavam Talinsi. Pássaros noturnos cantavam, galhos batiam na carruagem, ouvia-se ruídos e passos e não conseguia dormir. Faelin dormia profundamente em seu cesto. Ela então levantou-se e sentou-se na escuridão. Curiosa, abriu uma fresta da cortina e olhou para fora. Ventava, os galhos balançavam e folhas rolavam. Ficou aliviada, sabendo que se alguém, ou algo se aproximasse, os cavalos dariam um sinal.
__ A princesa está sem sono ? Indagou Arion, deitado, falando baixo, no escuro.
__ É... Disse, assustando-se. Fechou a cortina e encolheu-se, abraçando suas pernas.
__ Eu faço companhia então, até que durma.
__ Você tem o sono leve, não fiz barulho para justamente não acordar ninguém. Sussurrou.
__ Meus sentidos estão muito aguçados, mas ainda estava acordado.
__ É... Está muito escuro, você não acha ?
__ Verdade, mas posso resolver. Arion pegou sua espada, que estava no chão, ao seu lado e desambanhou. Ela imediatamente acendeu em brasa. Aliviada, fez Arion perceber que estava com medo.
__ Que bom, um pouco de luz. Sorriu nervosa.
Com a ponta da espada, ele tocou a lamparina acima da cabeça de Talinsi, acendendo-a.
__ Grata, mas não irá incomoda-ló para dormir ?
__ Vou ficar a incomodado se você não dormir agora.
__ Está bem. Sorrindo timidamente, deitou-se.
Arion então olhou pela janela.
__ Só mais uma coisa. Disse Talinsi.
__ Sim. O que ?
Tomando folego, Talinsi sentou-se novamente. Ele voltou-se inteiramente para ela, dispensando toda atenção ao que ela iria falar.
__ Me perdoe por hoje; sei que fui inconsequente, não vou mais desobedecer, prestarei atenção aos meus atos. Peço de verdade e humildemente desculpas. Disse num sussurro, contagiando ele.
__ Já está perdoada.
__ Sei que ficou com raiva de mim.
__ Fiquei furioso, por isso saí respirar, mas está aí umas das coisas a serem aprendidas na jornada, a controlar as emoções que são negativas, usando a sabedoria que pedimos pela manhã, em oração a Grande Deusa.
__ Claro.
__ Dorme, fico velando por você.
Talinsi sorriu, deitou-se e olhando um pouco mais para ele disse:
__ Obrigada.
Ele sorriu, com olhos ternos para ela. Assim Talinsi fechou os olhos e desejou sonhar com aquele sorriso e principalmente o seu toque.
Com um beijo na face, assim Talinsi despertou, com um raio de sol adentrando pela fresta da cortina. Despertou sonolenta, percebeu que Faelin e Arion não estavam. Levantou-se e olhou pela janela e viu uma fogueira acesa e uma panela fumegando. Não entendeu. Afinal, a carruagem não era enfeitiçada e lhes dava de tudo ? Teriam pedido uma fogueira ? Mas se era perigoso, por que fazia um acampamento ao ar livre ? Sentada e pensativa, olhou novamente pela janela e percebeu que não estavam mais sobre o grande carvalho. Assustada, encolheu-se, pois ouviu vozes desconhecidas. A porta abriu e Faelin adentrou. Talinsi saltou assustada, mas vendo-o, agarrou-o, dando -lhe um forte abraço.
__ O que houve princesa ?
__ Onde estamos ? Acordei e não vi ninguém, fiquei com medo!
__ Acalme-se, está tudo bem.
Talinsi estava trêmula.
__ Fiquei com tanto medo de perde-lós. Acordei e não os vi... Começou a chorar.
__ O que é isso princesa, não me parece nada bem ! Faelin coloca a mão na testa de Talinsi.
__ Onde estamos, como a carruagem andou e não senti ? Indagou enxugando as lágrimas.
__ Saímos antes do sol pensar em nascer e encontramos uma aldeia de ciganos, estamos protegidos, os cavalheiros do rei Felipus estão por perto, precisamos fazer paradas estratégicas e você deveria estar muito cansada para não ter acordado.
__ E que horas são ?
__ Meio da manhã, você dormiu bastante. Arion me contou que você estava com medo de dormir no escuro, ele então acordou e acendeu uma luz e só assim você adormeceu.
__ Como ele sabia ?
__ Do que ?
__ Que eu estava com medo, muito medo ? Indagou pensativa.
__ Não sei, se você não disse, eu não sei, mas vamos, levanta-se, a aldeia quer te conhecer! E há moças belíssimas por aqui, encantadas por Arion.
Talinsi deu de ombros, não dando o braço a torcer e se aprontou para sair.
Um acampamento muito belo de fato. Ao descer da carruagem, todos pararam para vê-lá, tamanha sua beleza, ficaram estasiados.
__ Bem vinda princesa da Lua, uma honra recebe-lá ! Disse um lindo cigano, reverenciando-a. Talinsi olhou surpresa, com as vestes, os olhos bem delineados de preto.
__ Obrigada. Sorriu encantada com tanta cor. __ Eu não sabia que ciganos eram tão lindos, nunca os vi, a não ser pelo que me contaram.
__ Não somos bem vistos na sociedade, levar nossa casa pra onde quisermos, não é aceito. Além de outras questões, que não importam nesse momento.
__ Então virei cigana! Concluiu Talinsi.
__ Optchá! Gritaram todos entre sorrisos.
__ Certamente a essência está em você. Disse uma cigana forte, que se aproximou. __ Hoje a noite tem festa em homenagem a princesa!
Um alvoroço se formou, entre aplausos e assovios.
__ Venha princesa, seu desjejum está pronto. Disse Faelin.
Bem escondida, entre as montanhas, posicionada entre árvores, ficava a aldeia cigana. Muitas tendas, desde simples, a enormes, assim como muitas carruagem. Os cavalos espalhados pela gramado verde e as crianças que brincavam soltas.
Sentados numa roda, estavam Arion, Talinsi e Faelin e alguns ciganos a conversar.
__ Vocês estão aqui a quanto tempo ? Indagou Talinsi.
__ Faz pouco tempo, ha famílias chegando e armando sua tenda. Nossa maior dificuldade foi encontrar um bom lugar, a beira de um lago. Disse a velha cigana, líder da aldeia.
__ Então pretendem ficar ?
__ Sim. Alguns ciganos velhos pretendem, os demais viajam e retornam, tudo que queremos é paz e uma terra boa para viver.
__ De acordo com meu mapa, essas terras fazem parte do reino da princesa da lua. Disse Faelin.
__ Eu espero que vocês tenham e possam viver aqui em paz, o que depender de mim, assim será meu reinado. Disse Talinsi.
__ Que Sara te abençõe em toda a tua jornada!
__ Quem ? Indagou Talinsi.
__ Nossa santa protetora.
__ Toda benção, seja da onde vier, de quem for, será bem vindo! Sorriu Talinsi.
A velha cigana a olhou com um sorriso no canto dos lábios.
__ Pois então vamos arrumar a casa para a celebração! Disse a cigana e os demais, levantaram-se. __ Espere que nossa dança e nosso vinho lhe agradem, por que nosso povo é musical, festeiro, alegre e ardente! Riu a cigana.
__ Adoro dançar, mas nunca tomei vinho.
__ Para tudo nessa vida, há uma primeira vez e tem que ser inesquecível de preferencia e que seja muito bem feito e vivido para não se arrepender depois não pelo feito, mas sim, pelo não feito, por que oportunidades perdidas não engradecem nossa alma, tão pouco nossa bagagem de sabedoria e conhecimento.
__ Lindo ensinamento. Vocês ciganas são tão lindas, atraentes, como conseguem ?
__ A princesa é belíssima, só precisa acreditar em si. Ninguém pode dar ou ser o que não tem e o que não é. Não se conquista a beleza, ela está em cada uma de nós, basta que tenhamos essa consciência em trazer essa beleza para fora, no sorriso, na dança, na vida!
__ Tão sábia cigana. Talinsi estava encantada. __ Mas vocês tem uma forma de andar tão bonita, uma presença forte e marcante, já eu...
__ Princesa, sabedoria todos nós temos, mas somente alguns a utilizam, e principalmente vivem-a. És delicada, linda, há extrema beleza nisso também, nos ciganos somos selvagens, livres, amantes da terra e da vida, não temos medo de viver, temos paixão em sermos assim, o mesmo pode fazer, o mesmo pode ser, é uma questão de despertar, lembrar todo o brilho em si.
__ Vou pensar nisso tudo. __ Melhor ainda é se viver isso tudo. Sorriu, piscando e levantou-se dali e dando ordens aos ciganos. Arion e Faelin foram ajudar no que era preciso.
A festa...
A sós, Talinsi ficou ali, desanimada. Havia várias ciganas ao redor de Arion, que estava tentando ao máximo resistir.
__ Não gosto de vê-lá triste, mas por que insiste amar um homem em segredo ? Indagou pensativo. __ Amor preso e sufocado, só faz sofrer. Mas logo tornou a ler seu livro.
A fogueira acessa, cantigas, vida, pandeiros, violinos, e outros instrumentos estavam a toda.
Pronta para a festa, Talinsi sentia-se uma árvore de Yule, mas olhado-se no espelho, estava extremamente belíssima.
Saiu ela tenda e foi para o grande movimento, sendo aguardada, todos, recebeu aplausos e assovios. Ela acenou e sorriu.
Ciganas cantavam lindamente. Procurando Arion com os olhos, o encontrou, sentado num roda, conversando e rindo. Estava mais lindo do que nunca.
Um belo cigano, alto, lhe chamou para dançar. Tímida aceitou e observando as outras ciganas, dançou reservada. A velha cigana aproximou-se dele e entregou-lhe um cálice de vinho.
__ Tome num único gole, esse vinho feito por nossas babás.
Talinsi a pequena taça.
__ Mas por que num único gole ?
__ Para que não sobre tristeza no fundo da taça, se não a alegria agradável do doce liquido precioso da alegria. Sorriu.
Talinsi assim o fez e quase se afogou. Continuou dançando prudentemente.
Um calor começou a subir pelas suas pernas, até chegar na cabeça, ficou preocupada, precisava saber o que estava havendo, mas naquele instante, seu corpo entrou em frenesi e desejava ardentemente dançar. Seu corpo relaxado, sentindo-se leve, livre e solta, a convidava a sorrir simplesmente por estar viva.
__ Cigana Esmeralda, estou me sentindo tão ardente e leve! Disse Talinsi sorrindo, próxima dela.
__ Aproveita, vinhos ciganos são poderosos, vá dançar agora, de verdade! Gargalhou.
Animada, correu e entrou na roda com os demais dançarinos. Os ciganos aproximaram-se, dançando com ela, conduzindo-a, remexendo-a, passando nos braços de cada um, Talinsi se entregou naquela emoção, naquele frescor, naquela energia ardente. Seu corpo parecia que iria explodir tanto era o frenesi. Suada, cabelo solto, segurando o vestido nas mãos e descalça, sorria e brincava.
Arion percebeu imediatamente toda aquela euforia da princesa e ficou espantado. Saira da roda e se encostou numa carruagem, observando-a.
__ Não vai dançar lindo moço ? Indagou cigana Esmeralda ?
__ O que há com a princesa, ela bebeu ? Indagou sério.
__ Um pouquinho de vinho, ela precisava relaxar.
__ Não vai fazer mal a ela ?
__ De nenhuma forma, ela precisava disso, se libertar e se divertir, afinal é uma princesa, consagrada a Lua!__ Mas não precisava beber e ficar no meio daqueles ciganos!
__ Você se divertiu muito hoje não é mesmo, agora é a vez dela, não acha ?
Arion olhou-a sério, mas nada disso.
__ Vou ficar olhando, afinal sou protetor dela, nunca a vi assim, tão... louca.
__ Ela só está relaxada, livre, sendo o que é verdadeiramente!
__ Mas com vinho na cabeça, qualquer um é!
__ Sim, mas quem bebe com o coração, alegra a alma.
A cigana soltou uma gargalhada e saiu dançando.
Arion, bravo, ficou olhando, Talinsi dançar, feito uma cigana. Como que uma pessoa, mesmo suada, com os pés sujos de terra, cabelo no rosto, parecendo uma louca, continuava mais linda, graciosa, sensual, sorriso estampado de uma cigana ?! Ela estava livre, mas vê-lá dançando com aqueles ciganos, de forma caliente, queimou profundamente o seu peito.
__ Que festa barulhenta einh! Disse Faelin, aparecendo na janela da carruagem.
__ É.
__ Nossa, nunca vi a princesa tão... animada desse jeito.
__ A cigana Esmeralda deu uma taça de vinho para ela tomar, e agora está feito uma louca, dançando!
__ Ciúmes agora, guerreiro ? Sorriu Faelin.
Arion nada disse, estava sério, concentrado e impaciente com a cena que via.
__ Eu bem vi como você estava a vontade com umas ciganas hoje, por que ela não pode se divertir, afinal só está dançando.
__ É diferente; ela é princesa da lua!
__ Ela é sobretudo livre. Faelin encarou Arion.
__ Eu não entendo algumas atitudes dela.
__ Assim como ela não entende as suas.
__ Você deveria nos ajudar, a nos conhecer melhor. Sugeriu.
__ Isso é problema de vocês, eu sou apenas amigos de vocês, guardando segredos de cada um. Mas é a princesa quem devo total lealdade.
__ Se não pretende me ajudar, saia daqui e pare de dar palpite!
__ É o que vou fazer, deitar e dormir, ou tentar pelo menos. Uma boa noite longa para você guerreiro! Rindo, adentrando.
__ Elementais...
Algumas ciganas sensuais, dançando, chegaram perto de Arion, mas esse, concentrado no cuidado com a princesa, não deu atenção e essas saíram de perto.
Porém o inevitável aconteceu. Talinsi venho dançando em sua direção, que ficou surpreso. Os demais ciganos olhavam curiosos, enquanto outros dançavam. Olhando-o, dançava sensualmente, esfregando-se, segurando a sia, chacoalhando, seduzindo-o. Ele estava sem reação, estupefato.
__ O que está fazendo ? Indagou sério.
__ Dançando para você oras, vi que umas ciganas fizeram, decidi fazer também, já que todas te querem, só deve escolher, não é ?!
__ Você não é uma cigana!
__ Não sirvo então ? Encarando-o, corajosamente.
__ Não serve para que ? Indagou assustado, sentando, coração acelerado, com Talinsi dançando em cima dele, pernas a mostra.
__ Para você!
__ Princesa da Lua, não está em seu juízo perfeito, melhor ir deitar-se. Arion levantou-se.
__ Estou muito bem, melhor do que nunca! Por que não sirvo para você ? Indagou abraçando-o.
__ Você é a princesa da Lua, sou seu protetor, devo respeita-lá! Arion segurava-a, tirando seus braços de cima dele.
__ Vi você com as ciganas, deitou-se com todas, e comigo não! Gritou, agarrando-o. Arion começou a se irritar.
__ Você está bêbada!
Talinsi gargalhou, descontroladamente. Logo depois ficou séria. Brava, aproximando-se dele.
__ Você é um idiota mesmo, covarde! Empurrou-o.
__ Você não sabe o que falando, vem ! Arion pegou em seu braço.
__ Pra onde ? Indagou com um sorriso malicioso.
__ Curar sua bebedeira!
Os demais ciganos já sabiam o que estava acontecendo, mas a pedido da cigana Esmeralda, continuaram com a festa.
__ O que eu preciso fazer para você me notar ?
__ Você não precisa disso, tão pouco da minha atenção, venha comigo, precisa descansar.
__ Eu quero você, eu te amo! Sussurrou perto de seus lábios com os olhos marejados. Ainda mais surpreso, mas não levou em conta, e a segurou.
__ Venha. Disse sério, encarando-a, olhos nos olhos.
__ Não! Gritou e se afastou dele, dançando. Ele correu, agarrou-a, puxando pelo seu braço, fazendo-a olhar de supetão para trás e a colocou no ombro. E mesmo se esperneando, gritando, xingando, ameaçando-o, batendo em suas costas, afastou-se da tribo a 200 metros, entrou com ela no lago, com neblina. Afundou ela e depois a segurou, ambos tremendo de frio.
Talinsi começou a chorar, tremendo de frio e de raiva.
__ Seu... Imbecil, eu te odeio! Não quero mais você como meu protetor, quase me afogou!
__ Acordou da sua loucura ? Indagou sério, tremendo, abraçado a ela.
__ Me solta! Disse chorando, constrangida.
__ Eu te levo.
__ Não, não quero, não precisa, eu sei o caminho!
Arion a soltou, que saiu da água pingando e tremendo de frio, logo atrás dela, ele ensopado. Algumas ciganas aproximaram-se com mantas, levando-os, cada qual na sua tenda.
Depois de todo ocorrido, Arion adentrou a tenda e pediu para falar com Talinsi em particular. As ciganas saíram rapidamente. Irritada, virou-se para ele, agora sã e disse muito brava:
__ Não quero mais te ver!
__ Percebo que agora sarou.
Em pé, enrolado num cobertor, Talinsi olhou com desprezo. Virou-se de costa e nada disse.
__ Você não é mulher suficientemente para falar sã comigo ?
__ Claro que sou! Disse com a voz trêmula, sem olha-ló.
Ele aproximou-se mais e ficou nem atrás dela.
__ Então fala! Disse sério. __ Fala agora, sem a ajuda do vinho na cabeça!
__ O que você quer, é me maltratar, me deixa em paz! Pediu, com a voz embargada.
__ Você me xingou, me acusou, se declarou, dizendo que me ama, lembra ?
Ela ficou calada, com medo, tão apreensiva, que mal conseguia respirar.
__ Estou cansada, quero dormir, saia daqui.
__ Vou embora sim, mas antes de tudo, quero te dizer que sou homem que honra com suas palavras, assumo as responsabilidades pelo meus atos, do que digo a alguém. Dizer qualquer coisa a alguém, sob algum artificio de encorajamento é fácil, porém é melhor e principalmente devem ser ditas, quando se está sóbrio!
Arion a puxou, encarando-a, segurando-a em seus braços. __ Desse jeito! Sussurrou em seu rosto. Seus em lágrimas e assustados com que a sua atitude resultara.
__ Quer que eu vá embora, deixe de ser seu protetor ?
Tremendo, Talinsi mantinha-se calada, sobre o olhar profundo de Arion. Diante dela, tão próximos, sentindo sua respiração ofegante, deu lhe um beijo, surpreendendo-a. Assustada, estava enfim acontecendo seu primeiro beijo, estranho a principio, depois molhado, cheio de medo por parte dela. Arion abraçou-a, envolvendo-a totalmente em seus braços, segurando seu rosto, com um beijo ardente, intendo, louco. Seu corpo esquentara a tal ponto, como se fosse explodir. Lutando contra, foi perdendo as forças, amolecendo inteiramente. O beijo começou-a lhe dar prazer, com os movimentos da boca e da língua, Arion a seduziu completamente. Com medo daquela sensação que circulava, estremecendo seu ventre, com uma mistura de calor e gelo. Por fim, conseguiu se afastar dele. Ofegante, olhava-o assustada, vendo luzinhas no ar, como se fossem fagulhas e em seguida, uma nevoa, parecendo cair entre ambos, sumindo tudo ao redor, vendo somente ele. Ambos pareciam em transe, até que ele pareceu acordar. Arion saiu da tenda, deixando-a sozinha, vivenciando aquela experiencia fortíssima. Com os lábios molhados, Talinsi os tocou, com as pontas dos dedos, pareceu lhe dar um choque. Estavam adormecidos, trêmulos. Caindo em si, que acabara de ser beijada pelo homem por qual amava, foi amolecendo. Seus lábios ainda anestesiados, luzes coloridas desceram sobre si e vendo apenas um foco de luz, desmaiou na cama.
Tal era seu amor por Arion e o susto que levara, a sensação foi tamanha, surpreendendo muito mais do que esperava.
Senti-ló perto de seu corpo, foi uma experiencia tão íntima, tão profunda que pensou que fossem se fundir. E lá no fundo do seu ser, desejou dizer, em alto e bom som: Eu te amo!
domingo, 2 de outubro de 2011
Num suspiro de amor.
Vale dos lírios, beleza nos beijos de luar.
Minha vida tornou-se assim sagrada, pois carregar um amor no peito, é carregar um tesouro perdido.
Quantas vezes deve se amar, se me encontro perdida em meu ser ?
Meus olhos tão cansados, choram as lágrimas de todo orvalha da manhã.
Ontem, éramos um, hoje somos dois.
Dois caminhos diferentes e um único propósito: O de se encontrar...
A saudade encravada no peito, na ânsia de te-ló aqui perto.
Meus olhos parecem vendados.
Minha voz muda, te chama nas noites escuras, da vida perdida ao luar.
Não sei se conseguirei viver sem você, mas sei que vivo por esse amor.
Inspiração do amor de Talinsi por Arion.
Esqueci de colocar a data dessa poesia que fiz, mas foi no começo desse ano de 2011 e a encontrei em meio as minhas bagunças, ou ela me encontrou. Ao ler, me perdi na saudade que mora em meu coração.
Minha vida tornou-se assim sagrada, pois carregar um amor no peito, é carregar um tesouro perdido.
Quantas vezes deve se amar, se me encontro perdida em meu ser ?
Meus olhos tão cansados, choram as lágrimas de todo orvalha da manhã.
Ontem, éramos um, hoje somos dois.
Dois caminhos diferentes e um único propósito: O de se encontrar...
A saudade encravada no peito, na ânsia de te-ló aqui perto.
Meus olhos parecem vendados.
Minha voz muda, te chama nas noites escuras, da vida perdida ao luar.
Não sei se conseguirei viver sem você, mas sei que vivo por esse amor.
Inspiração do amor de Talinsi por Arion.
Esqueci de colocar a data dessa poesia que fiz, mas foi no começo desse ano de 2011 e a encontrei em meio as minhas bagunças, ou ela me encontrou. Ao ler, me perdi na saudade que mora em meu coração.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
O espírito da Carta
Minha vida tem sido como uma grande tempestade, onde o vento que vinham do norte arrancavam, os últimos fios de esperanças. O sul mandava granizos que ao atingir meu corpo dilaceravam minha alma; os furacões vinham do leste, devastando e arruinando tudo que restava da minha vida.
Oeste seria o único rumo certo a se tomar, mais a oeste havia nuvens carregadas que cuspiam raios seguidos por trovões e relâmpagos e cada vez que um raio atingia a terra, deixava naquele lugar o rastro da morte.
Eu achava que estava protegido dentro da minha casa. Mas logo os granizos quebraram o telhado, o vento arrebentou as portas e janelas, raios abriram fendas nas paredes, tufões destruíram meu belo jardim, despedaçando minhas rosas, arrancou pela raiz meus jasmineiros, minhas orquídeas e begônias foram levadas pelos fortes ventos.
Os pássaros que moravam no ipê morreram atingidos pelos granizos, e no ar havia um perfume estranho, era uma mistura do cheiro do sangue dos pássaros e o doce cheiro de Dama da Noite, que estava toda desgalhada, mais ainda assim me oferecia o seu perfume.
Um tremor de terra vez cair o último ipê florido que ainda restava, um de de seus galhos atingiu meu gato, o matando com uma pancada certeira.
O vento trouxe para dentro da minha casa, milhares de pétalas de flores perfumadas e plumas coloridos dos mais variados pássaros, e eu passei a sentir de novo o perfume estranho, não tive medo, não me desesperei...
Plumas e pétalas voavam fazendo um doce ballet, a orquestra era regida por trovões e assovios feitos pelo vento que passava por entre as fendas das paredes; a água já molhavam meus tornozelos, minhas roupas e meus sapatos. Meu corpo machucado, porém não sentia dor; sentia minha pele sendo rasgada pelos espinhos das roseiras, minhas costas açoitadas pelos galhos, que o granizos quebrou, pequenas sementes de flores e frutas se chocaram contra meu rosto com tanta violência, que dos meus porós vertiam sangue.
Então um estranho pensamento me assolou: "O que fiz para provocar a ira dos elementos, para que me castigassem assim ?" ... Para onde vou ? Pois tudo que eu havia construído e plantado estava destruído! Até as carpas e os cisnes do lago estavam mortos. Só meu cão ainda estava vivo, por que mandei que partisse antes da chuva, mas não sei pra onde ele se foi.
Abandonei minha casa, caminhando, logo na primeira curva da estrada, encontrei meu cão, com os olhos parados, tristes, olhando a velha casinha. Ele morreu quando voltara para me ajudar e sem a vida desse lugar, não dará mais para se viver.
A chuva está passando, o vento não sopra mais tão forte, a terra vai secar e nada nela eu irei plantar, a última lembrança que quero ter, é das rosas vermelhas, dos pássaros cantando nos Ipés cheios de cores. Meu gato tentando pegar as carpas do lago dos cisnes, meu cachorro a me fazer companhia nas tardes cheias de vida e o perfume que vinha da dama da noite, que se arrumava para sair e arrebatar amores com todas as suas cores.
A última coisa que será plantando nesse terra, será meu corpo, por isso escrevi está carta e deixo na única parede de madeira que está inteira na sala e faço um aviso a quem vir encontra-lá e ler: Não deixe ninguém aqui morar, pois esta casa deve uma única dona e ela não mais voltara, agora no interior do meu coração está sepultado ao meu lado a solidão, a dor e o amor de quem nunca foi amada.
Leandro Oliveira Jorge.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Décimo Capítulo *Princesa da Lua*
O dia amanheceu aparentemenete mais calmo e belo do que de costume. Talinsi ainda dormiu profundamente, enquanto seu amigo brownie fora para a cozinha na compania da amavél Anastácia cozinheira do templo da montanha, que viera para cobrir Jacobe que estava se recuparando.
Logo adentraram os mestres, juntamente com Arion para o desjejum depois da habitual meditação. Assim que sentaram-se, perguntaram pela princesa que ainda repousava e Arion nada sabia da noite anterior; foi então que Faelin contou. Estupefato e visivelmente nervoso Arion deixou transparecer toda sua preocupação.
__ Ela parece frágil, delicada, mas é uma princesa da lua, com muita força mística, longas jornadas, missões dificieis, lugares desconhecimento, obstáculos irão surgir a cada passo que ela der e toda essa trajetória sempre começa de dentro de si e pode durar toda a vida, como acontece para alguns. Disse mestre Jafés.
__ Somos apenas coadjuvantes. Disse Faelin.
__ Mudamos tanto assim? Idagou Arion.
__ Essa é a nossa condição aqui. Estamos mudando todo dia, assim como nosso corpo, nossas cêlulas estão em plena transformação. Disse mestre Lion. __ Assim como vocês dois eram um tipo no começo, nessa nova jornada serão como dois desconhecidos novamente.
__ Estou empolgado. Arion sorriu.
__ De certa forma, eu também estou. Nada como uma jornada para revigorar, animar a vida! Faelin sorriu para o amigo guerreiro.
Anastácia trouxe mais pãezinho integral, com grãos e o chá quente. Servindo-se, surgiu Talinsi, que sentou-se na mesa farta e fez seu desjejum com os amigos e os mestres pela última vez.
Sob a orientação do mestre Oriond, por fim, o templo da montanha da qual Talinsi ainda não conhecia, seria guiada por Arion a conhecer.
Logo após o desjejum farto, encaminharam-se até as cocheiras, já com os cavalos devidamentos celados e observando o carinho de Talinsi com o seu cavalo, que recebeu um delicioso abraço, assim montaram e sairam num trote, até certa altura do passeio em silêncio.
__ Você está diferente. Disse Talinsi, olhando-o timidamente.
__ Fisicamente ou a personalidade? Arion a encarou.
__ Os dois. Sorriu sem - jeito.
__ Não te agradou? Indagou sério, tornando a olhar para frente.
__ É que a sua mudança é tão visivel, que me deixou curiosa, me pareceu bem com isso.
__ Realmente estou muito bem, mudei muito mesmo; a tribo Sul foi muito auspiciosa para mim, aprendi, ficaria mais, mas estou ansioso por novos ares e desafios!
__ Fico feliz por você e com toda a sua conquista e que bom que seguira comigo nessa nova jornada. Disse timidamente.
__ Também estou feliz e honrando princesa. Olhou-a e sorriu.
Num breve momento, amobos se olharam. Talinsi encabulada, olhou para frente, ficando em silêncio, tentando acalmar seu coração.
__ A princesa também mudou muito, está por demais linda e parece que amadureceu ainda mais.
__ Sim, verdade, mas bela... Isso já não posso afirmar, nós que olhamos sempre para o espelho não vemos a diferença externa, mas é certo que mudei bastante também, interiormente principalmente.
Visivelmente rubra de vergonha, desviou o olhar dele. Arion olhava-a, achando de extremo charme aquela timidez primaveril e sorriu em seus pensamentos.
__ Eu fiquei sabendo que você fez uma super magia com Jacobe, o que houve afinal?
__ Sim, verdade, e custou bastante da minha energia, ela estava com um obsessor cristalizado... E pelo caminho Talinsi contou-lhe todos os fatos com detalhes.
Pararam num ponto, com uma belíssima paisagem, cheia de vários tons de verdes e marrons. Diante da magnetude da vista, o silêncio falou pelos dois que sentiram uma paz invadir-lhes. Talinsi fechou os olhos afim de eternizar aquele momento especial e lentamente retornou a si.
__ Falta muito para chegarmos ao templo ? Indagou Talinsi.
__ Não, estamos próximos
__ No templo há uma vista assim?
__ Muito mais linda do que essa. Lá no templo, pode se avistar-se todo o horizonte de cada quadrante.
__ Deve ser o paraíso então ?! Talinsi ficou estonteante.
__ É o começo do paraíso, a porta de entrada, creio eu. Arion lhe sorriu.
__ Sentia-se só no templo?
__ Não. Os mestres sempre estavam por lá, outros aldeões sempre subiam para suas orações e pedidos. Meus treinamentos tomavam muito tempo da minha vida. Foi muito auspicioso ter morado no templo, que não percebi o tempo passar, me dediquei com afinco.
__ É nitida sua mudança, uma mudança maravilhosa. Sorriu-lhe.
__ A princesa está deveras modificada. Encarou-a.
Ambos sorriram. Tornaram a andar e por fim chegaram ao templo e realmente foi um vislumbre que fez com que Talinsi deixasse lágrimas rolarem.
Posicionada para o sol nascente, e com janelas amplas que deixava muita luz adentrar. Emocionada, ajoelhou perante a entrada e silenciou-se numa prece pessoal.
[...]
O passeio ao templo foi muito lindo e isso deixou uma certeza em seu coração e que jamais esqueceria. Revigorou suas energias e fortaleceu sua fé, sua coragem e suas esperanças. Compreendeu a mudança de Arion, o ar do templo era extremamente diferente, muito mais delicioso do que a tribo Sul, muito mais, uma magia explicita no ar.
[...]
Toda despedida é muito dificil e chorosa. Pois criamos apego e fincamos raízes. Entre lágrimas,abraços, presentes, partiram com a princesa da lua, guiada pelo amigo e conselheiro, Faelin e o guerreiro Arion.
Iniciando a viagem no rigoroso inverno, iam mais confortáveis na carroagem enfeitiçada.
Arion e Faelin conversavam bastante e com aquele balançar, Talinsi deitou no conrfotável acento tendo outro de frente, onde estavam os dois amigos e fechou os olhos adormecidos. Eles nem haviam percebido. Arion pegou um manto bordado na tribo Sul e pós sobre ela.
__ A princesa não dormiu direito, ansiosa com a nova jornada. Disse Faelin.
__ Ainda bem que temos essa carroagem. Disse Arion observando-a.
__ É mesmo. Observando-a. __ Gosto de observa-lá enquanto dorme, ela fica ainda mais linda e transmite uma paz e uma aconchego.
__ Eu nunca havia observado. Tem razão Faelin, dá vontade de ficar zelando ou adentrar seus sonhos. Revelou Arion, postando-se a observar.
O dia fechou em chuva incessante, com alguns trovejões, Talinsi despertou sonolenta e assustada, pensou que já havia anoitecido.
Com a cesta mágica que haviam ganhado de Anastácia, saborearam um apetitoso lanche. Afinal a chuva parecia que não iria cessar tão logo. Em silêncio, cada um olhava pela janela as gotas que escorriam ela janela e formavam poças lá fora. A temperatura caíra ainda mais, fazendo com que uma forte neblina tampasse toda a visão a um palmo de distância.
__ Esse dia não está nada bom para se fazer uma viagem, caminho ruim, péssima visibilidade, está retardando nossa caminhada, não vejo absolutamente nada! Disse Arion impaciente.
__ Dias assim me trazem uma saudades de algo que se foi, mas que nem chegou a vir, algo misterioso, como se fosse preciso mergulhar em meu íntimo e aconchegar meu coração, pois ele fica triste, faltando algo que não sei o que é, mas que está aqui, ou esteve, ou jamais deixou de sair. Confessou Talinsi, olhando as gotas que rolavam pelo vidro, contando-as em total instrospecção.
__ Seria um amor ? Indagou Arion diretamente, despertando-a de seus pensamentos filósoficos.
Talinsi olhou surpresa para Arion, que estava sério, diferente do monge do ar, quando se conheceram, esse parecia mais atrevido.
__ Como disse, é algo misterioso. Disse calmamente __ Eu não sei o que é amor, o que é amar um homem, então não pode ser, uma vez que eu não saiba.
__ Pode ser sim, uma vez que você apenas sinta isso, mas não sabe por que num dia como esse, na minha tribo, cada uma estaria em sua morada, aquecendo-se no fogo, dormindo com a mulher de sua vida, aconchegados no calor de seu corpo, de seus seios.
__ Se for assim, no meu caso, a manta resolve e me aquece, quem sabe essa sensação passe e eu possa ficar leve.
__ Isso engana por um tempo, somente por um breve tempo.
__ Você quer que eu faça o quê ?! Talinsi o encarou.
__ Conversa desnecessária, vamos nos acalmar. Pediu Faelin intercendo.
__ Encontre um homem para poder me aquecer, para amar de mentira ?! Talinsi irritou-se.
__ Apenas devia assumir o que realmente se esconde em seu íntimo e se resolver, por que não ?! Indagou sarcástico.
__ Não estou entendendo seu tom guerreiro Arion, não sei o que quer que eu prove, ou diga, só estava descrevendo o que sinto, quando vejo a chuva cair. Explicou-se nervosa.
__ Na verdade não quer entender, o que é diferente. Diga a verdade a si mesma.
__ Quero ter um amor sim... Mas não sei como amar, se vou conseguir e aprender; não sei verdadeiramente quem eu sou, como posso querer alguém, e mesmo que eu tenha alguém, vai me querer ?
__ Quem vai negar o amor da princesa da Lua ? Arion a encarou.
__ Pode haver, e isso prefiro, se for ter alguém ao meu lado, pelo simples status de eu ser "Princesa da Lua" dispenso.
__ Por favor, nos acalmemos, precisamos manter o foco na jornada, a ido para a norte trará mais surpresas! Disse Faelin.
__ Sim Faelin, sabe a quanto tempo estamos de viagem ? Talinsi fugiu da conversa de Arion, onde a deixou com o coração aos pulos, temia dizer algo da qual viesse se arrepender.
__ Algumas horas. Disse lhe com um mapa em mãos. __ Estava vendo o mapa e nossa jornada tem que ter algumas paradas obrigatórias e todo cuidado, será pouco.
__ Por quê ? Indagou Talinsi.
__ Estamos indo para minha terra e todo encanto que existe por lá eu conheço e são muitos. Contou Faelin.
__ Temos que nos preparar para algo suponho ? Indagou Arion.
__ Devemos estar sempre preparados. Disse Faelin.
__ Faelin, está com saudades de sua casa ? Indagou Talinsi.
__ Bastante. Revelou timidamente.
__ Ficará com vontade de voltar para sua casa ?
__ Somente se a princesa desejar isso, caso contrário, serei sempre seu fiel seguidor.
__ Mas se quiser, eu vou entender.
__ Ao seu lado sou feliz, já fiz minha escolha princesa.
__ Fico muito feliz e agradecida, mas saiba que é livre e dono de sua vida.
__ Gratidão eterna princesa ! Mas não é o que acontece com os demais brownies que tem um amo.
__ Como assim ?
__ A princesa não sabe que brownies são capturados para servir obedientemente a seu amo por toda sua vida ? Só ficamos livres, quando o amo morre. O brownie desorientado, sucumbe por não ter mais a quem servir.
__ Que fim triste! Que coisa horrível ! Talinsi levou a mãos na boca.
__ Há muitos magistas que tem um brownie, bruxas e magos, reis e rainhas, principalmente princípes e princesas entediados. Acrescentou Arion.
__ Mas por que precisam "capturar" um brownie para que seja um escravo, acaso eles não tem sentimentos ? Talinsi ficou estutefata.
__ Um bom brownie para servir, deve ser bem selvagem, há várias maneiras de capturar , e a forma de adenstrar são as mais rígidas possível e isso é muito comum. Disse Arion natualmente.
__ Comum ?! Gritou Talinsi. __ São vidas elementais, merecem respeito, sofrem, isso é maldade e se eu vou me tornar rainha, não permitirei que esses atos aconteçam mais! Disse extremamente perplexa, com a respiração exaltada.
__ Acalme-se princesa ! Pediu Faelin assustado.
__ Isso acontece desde que eu me conheço por gente. Disse Arion.
__ Não me interessa, isso vai acabar !! Disse nervosa
__ Está falando como rainha ! Sorriu Arion.
__ É o que vou ser e não importa com quem eu tenha que lutar, chega de opressão por quem tem poder. Sei bem como é isso!!
__ Se refere ao rei Felipus; será que não desistiu de encontra-lá ? Indagou Faelin.
__ Sim. Se estiver ainda a minha procura, vou enfrenta-ló, estou cansada de fugir!
__ Realmente não importa qual seja a situação, melhor mesmo é enfrenta-lá de uma vez. Disse Arion encarando-a.
__ Pois bem minha princesa, melhor descansar, esse assunto a desequilibrou. Disse Faelin.
Talinsi assentiu com a cabeça e deitou-se novamente, fechando os olhos, seu coração estava em extâse, sentia que Arion estava a desafiando para alguma coisa, mas o que afinal?
A noite caíra como uma pluma, e com ela, a neblina e o frio. A chuva cessara fazia tempo. Todos estavam cansados de estar andando naquele balançar incessante e cansativo.
Fizeram uma parada e todos desceram com cautela para espreguiçar-se. Talinsi tentava enxergar a paisagem para se situar. Andou um pouco, mas foi segurada pelo braço, por Arion.
__ Fique por perto, é perigoso afastar-se, está muito escuro, pode se perder. Disse Arion, com voz baixa.
__ Eu sei, mas sei me cuidar. Soltando-se dele.
__ Sou seu protetor ! Disse austero. Percebera que Talinsi estava se rebelando contra ele.
__ Está ouvindo ? Indagou curiosa.
__ O quê ? Arion olhou sem entender.
__ Escuta.
Parados, a meia luz que vinha da carroagem, silenciosamente, tentava captar algum som.
__ Não ouvi nada, som do quê ?
__ Um cântico com vozes doces, femininas, pareciam me chamar. Contou parada, atenta ao som.
__ Pode ser perigoso, vamos voltar a carroagem princesa! Arion pegou em seu braço, a conduzindo para sua segurança. Essa se soltou.
__ Ouça, novamente, ouça !
Doce e suave, o som encantador chegou até eles. Pareciam puxa-lós para dentro da floresta escura. Arion sentia se zonzo, sabia que deveria resistir e proteger a princesa, mas essa foi atrás daquele cântico e ele, que estava resistindo, teve que segui-lá.
__ Bom, eu penso que podemos pernoitar por aqui, o desjejum está pronto. Disse Faelin, procurando-os. Coçou a cabeça, rodeou a carroagem.
Cabaleando atrás de Talinsi, levando galhada no rosto, Arion tentava segura-lá, mas estava ficando cada vez mais hipnotizado. Por fim chegaram a uma clarera. Um lindo lugar, cheio de flores fosflorescente, em vários tons. No meio, uma fonte. Grande, jorrava água, que transforma-se em três cascatas.
__ Que lugar lindo ! Disse Talinsi. __ Quem será o dono ?
__ Não sei e melhor não ficarmos aqui para conhece-ló, aquelas vozes estavam me deixando hipnotizado. Disse Arion, recuperando-se da zonzeira. Sacou sua espada e pegou no braço da princesa, tentando conduzi-lá novamente para a carroagem.
__ Veja, há belas pedras na fonte, eu quero uma ! Talinsi soltou-se e aproximou-se da fonte e assim que foi colocar a mão na água para pegar a pedra, foi brotando um ser, que escorrendo, definiu-se num ser de rara beleza, transparente, que sob a aquela escuridão e a luz das flores fosflorescente, parecia prata.
Arion ao ver o ser, correu protegê-lá, mas paralizou e ficou tão encantado que foi aproximando-se vagarosamente para adentrar a fonte.
Enfeitiçada, Talinsi levou a mão para tocar, o ser, que olhava-a face a face e cantava lhe entre sussurros. Gêlido, refrescante, molhado, deu-lhe uma sensação de frescor ao extremo e a água da fonte, foi fecundando sua mão, seu braço vagarosamente. Talinsi olhava extasiada, enquanto Arion, olhava-a sério, foi subindo na fonte, jogando sua espada no chão, ofegante, assustado, sem controle de si.
__ Princesa da Lua, acorde !! Gritou Faelin correndo, parando assustado. O ser da água, parou de cantar, afastou-se de Talinsi rapidamente.
__ És a princesa da lua ? Indagou o ser entre sussurros cantados.
Talinsi despertou como num estalar e inerte por alguns segundos voltou inteiramente a si.
__ Afaste-se dela ninfa, ela é sim a futura Rainha da Lua desses reinos, quer ser expulsa do mundo mágico ?! Disse Faelin, têmulo.
__ Eu não sabia. Disse a ninfa.
Arion caiu no chão, zonzo, mas rapidamente acordando do surto, pegou sua espada e se colocou na frente de Talinsi, em posição de ataque. A lâmina da sua espada acendeu feito brasa quando apontou para a ninfa.
__ Você quem ser ? Indagou a ninfa, sem reação de medo.
__ Protetor da princesa ! Bravo, Arion aproximou mais a ponta da lâmina, fazendo estalar com o frio e evaporar a água da ninfa.
__ Peço desculpas humildemente. A ninfa abaixou a cabeça.
__ Cuidado com ela, vamos embora ! Disse Faelin
__ Quero uma pedra. Pediu Talinsi.
__ Se você és a princesa, não ficou encantada. Disse a ninfa
__ Não, realmente estava encantada pela sua beleza e pronta para chamar o nosso rei se fosse preciso. Revelou, surpreendendo a todos.
__ Não és preciso, pegue qualquer pedra princesa, quantas desejares. Disse sorrindo-lhe.
Talinsi enfiou a mão na água e pegou três pedras, uma de cada cor.
__ Muito grata, mas me diga, por que uma fonte no meio da floresta ? Indagou Talinsi.
__ Todo reino é mágico, há bruxos por aqui que me ofertão oferendas, eu as ajudo, dando-lhes proteção.
__ Muito longe daqui ?
__ Não muito, meio sol apenas, mas se escondem bem
__ Onde podemos pernoitar em segurança ?
__ Depois da grande árvore, esse caminho é muito movimentado, cavalheiros de um rei rondaram por essas bandas, perigoso. Sussurroua ninfa.
Talinsi ficou preocupada.
__ Devemos ir agora ! Disse Faelin.
Arion tocou o braço de Talinsi e essa nada mais disse.
__ Boa viagem rainha ! Acenou a ninfa
__ Grata. Talinsi lhe sorriu, mas foi logo puxada.
__ Tão bela, como consegue evita-lá ? Sussurrou a ninfa para Arion, que estava saíndo sem lhe dar as costas.
__ Qual é teu nome ? Indagou Talinsi, parando subitamente e voltando-se novamente a ninfa.
__ Varanuz, ao seu dispor. Disse numa reverência.
__ Princesa da Lua Talinsi prazer; peço que seja esse um segredo sobre minha passagem por aqui. Sorriu encantada
__ Pedido atendindo.
Saíram, voltando para a carroagem. Faelin enfim respirou aliviado.
__ Todo reino é mágico, há bruxos por aqui que me ofertão oferendas, eu as ajudo, dando-lhes proteção.
__ Muito longe daqui ?
__ Não muito, meio sol apenas, mas se escondem bem
__ Onde podemos pernoitar em segurança ?
__ Depois da grande árvore, esse caminho é muito movimentado, cavalheiros de um rei rondaram por essas bandas, perigoso. Sussurroua ninfa.
Talinsi ficou preocupada.
__ Devemos ir agora ! Disse Faelin.
Arion tocou o braço de Talinsi e essa nada mais disse.
__ Boa viagem rainha ! Acenou a ninfa
__ Grata. Talinsi lhe sorriu, mas foi logo puxada.
__ Tão bela, como consegue evita-lá ? Sussurrou a ninfa para Arion, que estava saíndo sem lhe dar as costas.
__ Qual é teu nome ? Indagou Talinsi, parando subitamente e voltando-se novamente a ninfa.
__ Varanuz, ao seu dispor. Disse numa reverência.
__ Princesa da Lua Talinsi prazer; peço que seja esse um segredo sobre minha passagem por aqui. Sorriu encantada
__ Pedido atendindo.
Saíram, voltando para a carroagem. Faelin enfim respirou aliviado.
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