sábado, 14 de maio de 2011

(Prólogo) Estória Árvore Grande


Árvore Grande


Uma batalha por terras a  muitos anos atrás, deixara um rastro de sangue, maldições e muita sede de vingança.
A ganância dos sacerdotes da Igreja Cristã contrata os nobres cavalheiros Templários para devastar tribos e clã nômades que consideram pagãos, hereges. Lideres religiosos, que se diziam profetas iluminados por Deus, levavam medo e falavam de um Deus severo que castigavam aqueles que não o enaltecessem e não o temessem.
A sacerdotisa Selene do Povo da Floresta sobrevivia escondida, com a missão de manter viva a Religião Antiga. Vivendo numa época difícil, sem muitas terras para plantar e escondidos da "Santa Inquisição", seguiam suas origens e celebravam sua religião como podiam. Com seus cincos amigos, fiéis e seguidores, começam a saquear o reino Tellus a fim de darem de comer ao seu povo, sob o perigo de serem pegos e condenados à forca ou qualquer outra forma com apetrechos de mutilação.
Não muito distante da densa floresta, ficava o reino Tellus que fora construído em terras Celtas, regadas de sangue e suor. Banidos para longe, o inescrupuloso rei fora amaldiçoada e todo sucessor não viveria para contar muitas histórias.
E foi o que aconteceu com o último rei, Petrus, com um ataque fulminante. Na esperança de quebrar a maldição, o único filho crescera numa abadia e assim que seu pai morre, ele toma posse do reino e tornou-se assim o novo rei Alexandre. Jovial, destemido e corajoso, começa a sair para buscar respostas para o caos que vivia seu reino e sua maior indagação: Por que a Sagrada Igreja não protegia sua família e seu reino dessa "tal" maldição?


Apesar das terras férteis do reino Tellus, tudo que os camponeses plantavam e colhia, metade ia para a Igreja, a outra metade para o reino e muito pouco ao povo necessitado. Com a crescente do Cristianismo, subvertendo a fé dos cristãos a poses; uma era de pobreza, desigualdade e mortes, assolavam a todos que escondiam verdadeiramente sua origem pagã.
Audacioso, o jovem rei decidiu ficar frente a frente com o inimigo e nessa missão contava com a ajuda do velho druida Dirg, que fora anteriormente conselheiro de seu falecido pai e que a Igreja não via com bons olhos. O mesmo velho druida Dirg vivia entre o reino Tellus e o Povo da Floresta abastecendo de informações a bela sacerdotisa, Selene que busca justiça pelos seus antepassados.
Curioso, o novo rei deseja conhecer a rainha pagã do Clã do Carvalho e é o velho druida Dirg quem o ajuda, armando uma emboscada na floresta, com carruagens cheias de mantimentos. Capturada, Selene é levada em cárcere privado para o reino Tellus e sobre si pesa a acusação de roubos, mortes, blasfêmias e heresia contra a Igreja e pessoas, pois seu clã é descoberto e torna-se uma ameaça aos negócios e o poder da Santa Igreja.
O velho druida Dirg é tido como traidor, mas por amor a rainha do clã assim o faz, pois a conhecendo bem, rei Alexandre poderá mudar totalmente seu conceito do povo pagão e é o que acontece. A beleza alva da rainha encanta o destemido rei cristão, mas não se dará por vencida.


Árvore Grande é um Baobá* que poderá trazer a verdade de tantos, pois estando no meio da situação há muitos anos, fará com que no rito dos antepassados revele a história daquelas terras e uma libertação imediata é pedida.
O reino Tellus que antes acusara a rainha Selene por sua tamanha heresia se vê em meio a um emaranhado de acontecimentos sucessivos de mistérios tenebrosos. Rei Alexandre é acusado de ter pactuado com o diabo e todo um movimento é forçado para deserda-ló de seu reino e vastas terras cobiçadas. Esse então descobrira que o véu da ilusão tapava seus olhos e a verdade surge. O que 
antes era caçador vira a caça e o demônio que dizem ser horrendo, não é tão feio quanto o pintam.

Entre dois mundos que parecem “diferentes”, Rei Alexandre descobre que leva somente a um único lugar e o mesmo Deus Pagão e Deus cristão é um, quando o amor entra para curar.
Uma luta de dois, passa a ser uma só e mais importante que isso é o amor que nascera e quebrara velhas barreiras, até então intransponíveis.
Muita lama suja, fedorenta é tirada debaixo do tapete e o que parecia perdido, ganham-se novos aliados e uma linda estória é passada adiante com a mensagem de que o amor cura vence e nos move adiante.


Autora de mais um título épico: Claudete Gonçalves Nunes.
Meu e-mail/msn: detty.wicca@hotmail.com

Continuando........

*Original da África, o Baobá é uma das árvores mais antigas da terra. Conhecido nos meios científicos com o nome de Adansonia Digitata, o baobá, quando adulto, é considerada a árvore que tem o tronco mais grosso do mundo, chegando em alguns casos, a medir 20 metros de diâmetro. São árvores seculares, testemunhas vivas da história, que chegam até aos 6.000 anos de idade.
Esse colosso vegetal pode atingir trinta metros de altura e possui a capacidade de armazenar, em seu caule gigante, até 120.000 litros de água. Por tal razão é denominada "árvore garrafa". No Senegal, o baobá é sagrado, sendo utilizado como fonte de inspiração para lendas, ritos e poesias. Segundo uma antiga lenda africana, se um morto for sepultado dentro de um baobá, sua alma irá viver enquanto a planta existir. E o baobá tem uma vida muito longa: vive entre um e seis mil anos.
Uma das principais curiosidades a respeito dessa árvore tão especial é que seu tronco é oco. Muitas lendas africanas procuram explicar esse fenômeno.

O coração do baobá

No coração da África, havia uma extensa planície. E no centro dessa planície, erguia-se uma alta e frondosa árvore. Era o baobá. 
Um dia, embaixo do sol escaldante do meio-dia africano, corria pela planície um coelhinho, que, exausto, suado, quando viu o baobá, correu a abrigar-se à sua sombra. E ali, protegido pela árvore, ele se sentiu tão bem, tão reconfortado, que olhando para cima não pôde deixar de dizer: 
- Que sombra acolhedora e amiga você tem, baobá! Muito obrigado! 
O baobá, que não costumava receber palavras de agradecimento, ficou tão reconhecido, que fez balançar os seus galhos e tremular suas folhinhas, como numa dança de alegria. 
O coelho, percebendo a reação da árvore, quis aproveitar-se um pouquinho da situação e disse assim: - É, realmente sua sombra é muito boa.... Mas e esses seus frutos que eu estou vendo lá em cima? Não me parecem assim grande coisa... 
O baobá, picado no seu amor próprio, caiu na armadilha. E soltou, lá de cima de seus galhos, um belo e redondo fruto, que rolou pelo capim, perto do coelhinho. Este, mais do que depressa, farejou o fruto e o devorou, pois ele era delicioso. Saciado, voltou para a sombra da árvore, agradecendo: 
- Bem, sua sombra é muito boa, seu fruto também é da melhor qualidade. Mas... e o seu coração, baobá? Será ele doce como seu fruto ou duro e seco como sua casca? 
O baobá, ouvindo aquilo, deixou-se invadir por uma emoção que há muito tempo não sentia. Mostrar o seu coração? Ah... Como ele queria... Mas era tão difícil... Por outro lado, o coelhinho havia se mostrado tão terno, tão amigo... E assim, hesitante, hesitando, o baobá foi lentamente abrindo o seu tronco. Foi abrindo, abrindo, até formar uma fenda, por onde o coelho pôde ver, extasiado, um tesouro de moedas, pedras e joias preciosas, um tesouro magnífico, que o baobá ofereceu a seu amigo. Maravilhado, o coelho pegou algumas joias e saiu agradecendo: 
- Muito obrigado, bela árvore! Jamais vou te esquecer! 
E chegando à sua casa, encontrou sua esposa, a coelha, a quem presenteou com as joias. A coelha, mais do que depressa, enfeitou-se toda com anéis, colares e braceletes e saiu para se exibir para suas amigas. A primeira que ela encontrou foi a hiena, que, assaltada pela inveja, quis logo saber onde ela havia conseguido joias tão faiscantes. A coelha lhe disse que nada sabia, mas que fosse falar com seu marido. A hiena não perdeu tempo: foi ter com o coelho, que lhe contou o que havia acontecido. 
No dia seguinte, exatamente ao meio-dia, corria a hiena pela planície e repetia passo a passo tudo o que o coelho lhe havia contado. Foi deitar-se à sombra do baobá, elogiou-lhe a sombra, pediu-lhe um fruto, elogiou-lhe o fruto e finalmente pediu para ver-lhe o coração. 
O baobá, a quem o coelhinho na véspera havia tornado mais confiante e mais generoso, dessa vez nem hesitou. Foi abrindo o seu tronco, foi abrindo, bem devagarinho, saboreando cada minutinho de entrega. Mas a hiena, impaciente, pulou com suas garras no tronco do baobá, gritando: 
- Abra logo esse coração, eu não aguento esperar! Ande! Eu quero todo esse tesouro para mim, eu quero tudo, entendeu? 
O baobá, apavorado, fechou imediatamente o seu tronco, deixando a hiena de fora a uivar desesperada, sem conseguir pegar nenhuma joia. E por mais que ela arranhasse a árvore, ela nada conseguiu. 
A partir desse dia é que a hiena ganhou o costume de vasculhar as entranhas dos animais mortos, pensando encontrar ali algum tesouro. Mal sabe ela que esse tesouro só existe enquanto o coração é vivo e bate forte. 
Quanto ao baobá, nunca mais ele se abriu. A ferida que ele sofreu é invisível, mas dificilmente curável. O coração dos homens se parece com o do baobá. Por que ele se abre tão medrosamente quando ele se abre? Por que às vezes ele nem se abre? De que hiena será que ele se recorda? 
FIM?

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